Pois então. Se há um ano e 9 meses atrás alguém me dissesse que nesse momento estaríamos nos aproximando do desmame eu não acreditaria, pq tanta mamação as vezes parecia que não tinha fim. Mas talvez também aproveitaria com menos culpa, menos medo, mais entrega.
Há uns 4 meses atrás a Sarah começou a ensaiar mamar menos. Ela ia e voltava desse processo. Conforme isso foi acontecendo eu comecei a conversar com ela e distraí-la com outras coisas quando precisava que ela não mamasse em certos momentos. Comecei levando fruta ou algum alimento fácil nos metrôs e ônibus ou caminhadas de sling. Nunca liguei muito para os olhares, e quase nunca me olharam com reprovação, mas sentia que naqueles lugares já não sentia prazer em amamentar. Foi bem fácil e aos poucos ela nem lembrava mais do mamá, mas com isso veio uma vontade enorme de sair do colo, explorar os vagões, querer fugir do sling. Bem, dei uma bela diminuida nas minhas saídas com ela de condução, porque eu não dava conta, também porque estávamos numa fase onde ela queria tudo, mas não entendia muito das minhas explicações e pedidos.
Aí passávamos dias com ela mamando 5 vezes por dia, 6, as vezes 4. Isso era muuuito pouco perto do que ela mamava! Ela nunca foi de dar aquela mamada de 2 segundos, raras épocas fez isso e era algo que também me incomodava. Então as mamadas dela eram loooongas, entrávamos na mamolândia e dependendo do meu nível de cansaço eu conseguia até tirar um cochilo! Quando ela voltava a mamar toda santa hora comecei a perceber que muitas vezes era tédio, era mudança de rotina, falta de atividade, e eu ainda não estava habituada a tanta energia para brincar. Era muita energia, muito mais do que há uns meses atrás. Quando senti isso comecei a entrar na nova onda. Meu Deus, acabava o dia e eu estava moída, podre, acabada de cansaço! Tinha umas recaídas e me deixava vencer pelo cansaço, aí voltava a mamação.
Mas um belo dia ela me chamou na xinxa. Vamos lá mãe, chega desse lenga lenga, vem participar de vez da minha descoberta do mundo, seu peito é legal mas tem mais coisa legal por aqui! E então se estabeleceram as mamadas com "horários". Quando ela acorda, quando volta da escola para tirar a soneca (dorme mamando) e para dormir a noite. As vezes uma no meio da tarde, ou se acorda no meio da soneca a grande maioria das vezes só volta a dormir quando mama. Quando percebi que tinha estabelecido esse "padrão" primeiro entrei em choque. O comportamento dela mudou muito ao longo desse caminho. O peito já não era mais seu consolo se ela caia, se machucava, se assustava, quando dava xiliques e ataques não pedia mais peito pra se acalmar e nem queria se eu ousasse oferecer, e nossa relação ficou muito mais na base da conversa, beijos, abraços, carinho, interação, brincadeira. Ela quase não liga mais quando eu preciso deixá-la com minha mãe ou com alguém para sair, me dá tchau toda feliz e aos poucos descobre a vida além dos peitos ou da própria mãe. Admito, dar mamá é muito mais fácil que lidar com negociações, explicações, enfim. Dá um certo ciúme de vê-la tão a parte do meu corpo, mas na real, é lindo vê-la crescer com segurança, sabendo que eu estou aqui sempre pra ela, isso é nítido, é mágico. Olhar pra trás e ver que todo meu esforço valeu a pena pelo menos até aqui! Eu não mudaria nada do nosso início conturbado, nada.

Aí esses dias pediu para dormir com o livro "Poesias na Varanda" debaixo da cabeça, e adormeceu muito rápido. Desde então ela pede para dormir com algum mimo seu. E hoje, pela segunda vez no mês, ela foi para a caminha sem mamar. Simplesmente foi, e dormiu. Ela não pediu, eu não ofereci.
Meu piercing de mamilos está criando asas e voando no seu céu azul lindo com arco iris. Voa minha filha, que eu estarei sempre aqui com peito, colo e tudo o que você teve de mim até agora.
Imagino (e espero) que tudo isso de desmame seja gradual e ainda um processo bem lento. Mas da forma que está sinto que poderia amamentá-la por muito mais tempo que eu poderia imaginar.
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